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IA no marketing de negócio pequeno: o que ela já faz sozinha hoje

Todo mundo fala de IA. Quase ninguém diz, em português direto, o que ela entrega no marketing de um negócio como o seu.

Eu não vendo IA e não tenho comissão de ferramenta nenhuma. Eu sou dono de um negócio de entretenimento infantil em shopping centers, e refiz o marketing inteiro do meu negócio desse jeito depois de anos pagando fornecedor para fazer. Então este texto não é sobre o futuro do trabalho. É sobre o que estava na minha tela na semana passada.

Vou separar em três: o que sai pronto, o que sai a quatro mãos e o que continua sendo só seu. E vou dizer onde ela não resolveu, que é a parte que quase ninguém escreve.

A pergunta útil não é o que a IA faz, é o que ela entrega pronto

"O que a IA faz" é pergunta ruim, porque a resposta é "quase tudo", e quase tudo não ajuda ninguém a decidir nada.

A pergunta que muda a sua semana é outra: o que eu peço e recebo pronto, sem precisar de mais ninguém depois?

Essa distinção é tudo. Um texto que vem pronto e você publica é um problema resolvido. Um texto que vem pronto e precisa de alguém para colocar no ar é meio problema, e a outra metade continua sendo fila, orçamento e espera.

Julgue por aí. Não pelo que a ferramenta promete. Pelo que sobra de trabalho depois que ela entrega.

O que já sai pronto

Estas são as peças que eu peço e recebo terminadas, no meu negócio, hoje.

Site. As páginas do meu site, escritas e construídas, com o texto no meu tom e a estrutura que faz sentido para quem chega buscando o que eu vendo.

Landing page. Página de campanha, com um objetivo só, formulário funcionando e botão repetido. Essa é a peça que mais mudou a minha rotina, porque antes cada campanha nova esbarrava na fila de outra pessoa.

Criativo de anúncio. Imagem e texto do anúncio, em várias versões, para testar qual funciona em vez de discutir qual parece melhor.

E-mail. A sequência de boas-vindas para quem deixa contato, escrita de uma vez, rodando para sempre.

Calendário de conteúdo. Os posts do mês inteiro, com legenda pronta e ideia de foto ou vídeo que eu consiga produzir com o celular.

Painel de números. Uma tela simples, feita para mim, que mostra visitas, contatos e custo por contato num lugar só, sem eu precisar abrir três plataformas e traduzir três jargões.

Nada disso é conceito. É a lista do que existe rodando no meu negócio agora.

O que ela faz junto com você

Tem uma faixa de coisas em que a IA é excelente como interlocutora e péssima como decisora sozinha. Aqui ela acelera você, não substitui você.

A oferta. Ela ajuda a formular, a testar variações, a antecipar objeção. Mas o que você vende, por quanto e para quem é decisão de dono. Ela não conhece a sua margem nem a sua capacidade de atender.

O tom. Ela escreve muito bem em qualquer tom que você descrever. O problema é que ela não sabe qual é o seu até você mostrar. Sem isso, ela cai no padrão genérico de internet, e o resultado parece de qualquer empresa.

A escolha de canal. Ela sabe as diferenças entre os canais. Ela não sabe que no seu bairro o WhatsApp resolve e o e-mail não, ou o contrário. Você sabe.

O padrão é claro: a IA é forte no que é geral e cega no que é específico do seu negócio. Todo o valor está em você entregar o específico.

O que ainda é só seu

Nenhuma IA faz estas três, e é melhor assim.

Responder o cliente. Ela escreve o modelo. Quem responde na hora é você ou a sua equipe. A velocidade é humana.

Atender bem. O que acontece quando a pessoa chega na sua loja, na sua sala, no seu telefone. Marketing bom só acelera a chegada. Se o atendimento decepciona, ele acelera a decepção.

Cumprir a promessa. Isso é o negócio, não o marketing. E é a única parte que nunca vai ter atalho.

Aliás, é bom dizer onde a IA não resolveu para mim, porque isso raramente aparece nesses textos. Ela não decidiu meu preço. Ela não sabia o que era pesado na minha operação até eu explicar. E as primeiras versões de tudo saíram genéricas, do jeito que sai quando você pede pouco e explica menos. A qualidade subiu quando eu parei de pedir peça e comecei a dar contexto.

O ponto que muda tudo: IA que executa x IA que sugere

Se você levar uma coisa só deste texto, leve esta.

Existem duas categorias de IA, e elas resolvem problemas diferentes.

A que responde. Você pergunta, ela devolve texto na tela. Ótima para escrever, revisar, ter ideia, entender um conceito. O trabalho de fazer alguma coisa com aquilo continua sendo seu.

A que executa. Ela cria os arquivos, escreve o código, publica a página no seu endereço, configura suas contas. Você pede, ela faz, e depois te mostra o resultado pronto para conferir.

A diferença prática: com a primeira, você sai da conversa com instruções. Com a segunda, você sai com o site no ar.

Para escrever um post de Instagram, as duas servem. Para montar o marketing inteiro de um negócio, sem contratar ninguém, só a segunda serve. É a diferença entre um consultor e uma equipe.

Qual escolher, e o que pesa nessa escolha além do modelo, é assunto de outro texto, que eu deixo no fim.

Um exemplo do começo ao fim

Para sair do abstrato, o caminho real de uma página de campanha, do zero ao ar.

Passo 1. Você descreve o negócio. O que faz, para quem, onde, o que te diferencia, faixa de preço, tom. Meia hora chata, uma vez só. É a etapa mais entediante do processo inteiro e a que mais decide a qualidade de tudo que vem depois.

Passo 2. Você pede a página. Qual é a oferta, qual é o objetivo (contato ou venda), o que você quer que a pessoa faça.

Passo 3. Ela devolve a estrutura para você aprovar. Seções, títulos, argumentos. Você lê e corrige em português: "esse título está fraco", "tira essa seção", "o preço não entra aqui".

Passo 4. Ela constrói e publica. Você recebe o link.

Passo 5. Você abre no celular. Esse é o teste que separa página boa de página bonita. Se está estranho no celular, você fala, ela ajusta.

Passo 6. Você confere se o formulário chega em você. Preenche com o próprio nome. Se o contato não chegou no seu e-mail, a página não está pronta, por mais bonita que esteja.

Repare que em nenhum momento você abriu um editor, escolheu uma fonte ou escreveu uma linha de código. Você descreveu, julgou e aprovou. É trabalho de dono, não de técnico.

Por onde um dono começa nesta semana

Não comece pelo site. Não comece pelos anúncios. Comece pela peça menor que dá para julgar sozinho, em uma tarde.

Faça uma página. Uma só, com um objetivo só. Se ela ficar boa, você acabou de descobrir uma capacidade nova do seu negócio. Se ficar ruim, você gastou uma tarde e ganhou uma opinião própria sobre o assunto, o que já é mais do que a maioria tem.


Eu não quero que você acredite em nada disso. Quero que você teste.

Comece pelo menor uso de IA que existe, e que dá para julgar hoje: o Raio-X do custo por cliente. É um PDF grátis com um prompt que roda numa IA gratuita, no navegador, sem instalar nada e sem cartão de crédito. Ela te faz algumas perguntas sobre o negócio, quanto você gasta com marketing e quantos clientes novos entram por mês, e calcula quanto você paga por cada um.

Cinco minutos, e você tem na tela um número que nenhuma agência entrega. Depois disso você decide sozinho se está confortável com ele. Peça o Raio-X por e-mail.

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O playbook é o mesmo. Muda o ponto de partida.

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