Quando alguém diz que assumir o próprio marketing custa "quase nada", a frase é meio verdadeira e meio propaganda.
É verdade que a infraestrutura ficou absurdamente barata. E é propaganda esconder que existem custos reais, que alguns deles são recorrentes, e que um deles é bem maior que os outros.
Este texto é a conta completa, linha por linha, do jeito que eu faria se estivesse te explicando na mesa de um bar. Sou dono de um negócio de entretenimento infantil em shopping centers e opero meu próprio marketing. Não sou agência nem consultor, e não ganho comissão de nenhuma ferramenta citada aqui.
Aviso importante sobre números, e ele vale o texto inteiro.
Por que este texto não traz uma tabela de preços fechada
Porque preço de ferramenta muda, e material de marketing com número velho é pior que material sem número.
Plano de IA reajusta. Registrador muda tarifa. Gateway de pagamento altera taxa. Limite de plano gratuito é revisto. Se eu cravasse valores aqui, metade estaria errada em seis meses e você tomaria decisão com base em ficção.
Então este texto faz uma coisa mais útil e mais chata: te entrega a estrutura da conta, linha por linha, com o que cada linha significa, se ela é fixa ou variável, e onde você confere o valor atual em dois minutos. Você preenche com os preços do dia em que estiver lendo, e a conta fica sua, correta e verificável.
Anote as linhas numa planilha simples. Sete linhas resolvem.
Domínio: o único custo anual obrigatório
O domínio é o endereço do seu negócio na internet. É a única linha da conta que não tem como zerar, e é a mais barata de todas.
Você paga uma vez por ano, direto no registrador, e o valor depende da terminação escolhida. Endereços com final brasileiro têm um preço, endereços internacionais têm outro, e existem terminações caras que ninguém precisa.
Duas coisas importam mais que o preço.
Primeira: o cadastro tem que estar no seu nome, com o seu e-mail. Domínio no nome do fornecedor é o erro que trava saída de contrato, e custa exatamente o mesmo que fazer certo.
Segunda: deixe a renovação automática ligada. Domínio que expira por esquecimento derruba site, e-mail e campanha no mesmo dia. É o tipo de economia que custa caro.
Como conferir o valor atual: entre no site do registrador que você usa ou pretende usar, digite o nome que você quer e veja o preço de registro e o de renovação. Repare que às vezes eles são diferentes, com o primeiro ano promocional.
Hospedagem do site e das landing pages: por que fica perto de zero
Aqui está a mudança que tornou tudo isso possível, e ela é recente.
Sites institucionais e landing pages são páginas que não precisam de servidor tradicional. Elas podem ser servidas por uma rede de distribuição global, e várias empresas oferecem isso em plano gratuito com limites bem generosos para o volume de um negócio pequeno.
Na prática, um site de negócio local com dezenas ou centenas de visitas por dia cabe folgado no plano gratuito. Se um dia o volume crescer muito, o plano pago existe, e nessa altura o site já estará se pagando.
O que isso quer dizer para a sua planilha: essa linha começa em zero e provavelmente fica em zero por um bom tempo. Não é truque, é o estado atual do mercado de infraestrutura.
Vale a mesma coisa para as landing pages. Cada página nova não gera custo novo. Isso muda a economia do seu marketing de um jeito que a maioria dos donos não percebe: quando página nova é grátis, você cria uma por campanha, testa, descarta e faz outra. Quando cada página é um item cobrado à parte pelo fornecedor, você reaproveita a mesma para tudo e perde conversão em silêncio.
Como conferir os limites atuais: abra a página de planos do serviço que você escolher e procure a seção de plano gratuito. Compare os limites com o seu volume real de visitas.
A assinatura da IA: o custo relevante da operação
Essa é a linha que realmente pesa, e é honesto dizer isso antes de qualquer outra coisa.
A IA é a sua equipe. É ela que escreve, constrói o site, gera as páginas, monta os criativos e configura o que precisa ser configurado. Você paga por mês, como pagaria por qualquer software de trabalho.
Tem uma particularidade que vale dinheiro conhecer: o mês de montagem é diferente dos meses de operação.
No mês em que você constrói tudo, o uso é pesado. Site inteiro, landing pages, rastreamento, textos, campanhas, tudo em poucos dias. Nesse mês, o plano maior compensa, porque esbarrar em limite de uso no meio do embalo custa mais tempo do que a diferença de preço entre os planos.
Depois que a máquina está no ar, o trabalho vira manutenção e peça nova de vez em quando. Aí o plano menor dá conta com folga, e você desce de degrau.
Pense como contratação temporária: você contratou um time inteiro por um mês para construir a fábrica. Construída a fábrica, fica só a operação.
Como conferir o valor atual: abra a página de planos do fornecedor de IA que você usa e veja os níveis disponíveis, o valor em reais e o que muda de um para o outro em limite de uso.
E-mail e automação: onde começa a caber no plano gratuito
Você precisa de um lugar para guardar os contatos que capturou e disparar mensagens para eles. Guardar lead em caderno, em bloco de notas ou na caixa de entrada é perder lead.
As ferramentas desse tipo costumam ter plano gratuito com limite de contatos e de envios por mês. Para quem está começando, esse limite normalmente é suficiente por um bom tempo. Quando a lista cresce e o plano gratuito aperta, o custo de subir é pequeno perto do valor de uma lista que já está gerando venda.
Duas observações práticas.
A primeira é que essa linha começa em zero e vira custo só quando o negócio já está funcionando. É a melhor ordem possível.
A segunda é que a lista de contatos é um dos poucos ativos de marketing que ninguém pode te tirar. Seguidor é audiência alugada, decidida por algoritmo. Contato é canal seu, que você aciona quando quiser.
Como conferir: abra a página de preços da ferramenta escolhida e veja o teto do plano gratuito em número de contatos e de envios mensais.
Gateway de pagamento: você paga por venda, não por mês
Se você vende online, precisa de um jeito de receber. A boa notícia é que o modelo de cobrança aqui é o mais justo que existe: você paga um percentual sobre o que recebeu. Sem venda, sem custo.
Alguns cobram por transação, outros por percentual, quase todos com valores diferentes para cada forma de pagamento. Pagamento instantâneo tende a ser mais barato que cartão. Cartão parcelado tende a ser o mais caro, e o prazo de repasse muda bastante de um fornecedor para outro.
Três critérios decidem a escolha, nesta ordem: se ele oferece as formas de pagamento que o seu cliente realmente usa, qual é o prazo até o dinheiro cair na sua conta, e só então a taxa.
Na planilha, essa linha não é um valor fixo. É um percentual sobre a receita, e por isso ela não entra no seu custo mensal de infraestrutura. Ela é custo de venda, como taxa de maquininha sempre foi.
Como conferir: entre na página de taxas do gateway que você pretende usar e anote as taxas atuais por forma de pagamento e o prazo de repasse.
O que continua custando de verdade: a verba de anúncio
Essa linha é a maior de todas, e ela não muda de tamanho quando você demite a agência.
Verba de anúncio é o dinheiro que vai para o Meta e para o Google comprar impressão e clique. Ela é sua de qualquer jeito, no modelo antigo e no modelo novo. Não é economia possível, é investimento.
O que muda ao assumir a operação é outra coisa, e é relevante: você para de pagar alguém para gastar o seu dinheiro e passa a ver, na sua conta, quanto cada campanha custou e o que ela trouxe.
Quanto colocar aqui não é uma pergunta de infraestrutura, é uma pergunta de negócio. Depende do seu ticket, da sua margem e de quantos clientes novos você aguenta atender. Comece com um valor que você não sente falta enquanto está aprendendo, e escale só o que já provou retorno.
Deixe essa linha separada de todas as outras na planilha. Misturar verba com custo de ferramenta é o erro que faz o marketing próprio parecer caro e o modelo de agência parecer barato, ou o contrário, dependendo de quem está contando.
Somando: o formato da conta
Feita a estrutura, o desenho fica assim.
Custos fixos recorrentes: basicamente um só, a assinatura da IA, maior no mês de montagem e menor depois.
Custos anuais: o domínio.
Custos que começam em zero: hospedagem do site e das páginas, ferramenta de e-mail no plano gratuito.
Custos variáveis atrelados a receita: a taxa do gateway, que só existe quando você vende.
Investimento separado: a verba de anúncio, que é sua nos dois modelos.
Para você não começar a planilha com a coluna vazia, ficam aqui os valores que eu vi ao escrever este texto, em julho de 2026. Todos são perecíveis, então confira cada um na data em que for preencher.
- Domínio: o Registro.br anuncia registro e renovação de
.com.brpor R$ 40,00 por ano. - Hospedagem: o plano gratuito do Cloudflare Pages, segundo a documentação da própria Cloudflare, aceita 500 publicações por mês, até 20.000 arquivos por site e 100 domínios personalizados, e as requisições a arquivos estáticos são gratuitas e sem limite.
- IA: na página de planos da Anthropic, o Pro estava em US$ 20 por mês (US$ 17 por mês no plano anual) e o Max começava em US$ 100 por mês. É cobrança em dólar, então some o câmbio e o IOF do seu cartão.
- E-mail: a central de ajuda da Brevo informava um plano gratuito de 300 envios por dia, com armazenamento de contatos bem acima do que um negócio pequeno usa no primeiro ano.
- Gateway: a central de ajuda da Kiwify informava 8,99% + R$ 2,49 por venda aprovada, mais R$ 3,67 por saque, sem mensalidade nem taxa de adesão.
Agora compare com o outro lado. Não compare com a soma do ano inteiro de fee de agência, porque isso é retórica. Compare do jeito mais desconfortável possível: quanto custa um mês da sua operação própria, contra um mês do que você paga hoje.
Se você não sabe o segundo número com precisão, ele está detalhado em quanto custa uma agência de marketing por mês, e o que você leva por isso, com a lista de perguntas para extrair da sua proposta atual o que ela não diz.
A conta costuma ser favorável ao modelo próprio por uma margem grande. Mas ela só é honesta se a próxima seção também entrar.
O que essa conta não cobre, e não vamos fingir que cobre
Toda comparação de custo que ignora esta parte está mentindo por omissão.
O seu tempo. Montar leva dias de trabalho concentrado. Operar leva uma janela fixa por semana, curta, mas real. Se a sua semana já está no limite absoluto, isso é um custo, e é o maior deles.
A curva de aprendizado. Nas primeiras semanas você vai fazer coisa errada. Palavra-chave que não deveria estar lá, anúncio julgado cedo demais, página com formulário mal configurado. Todo mundo paga essa taxa. Ela é menor do que parece e maior do que zero.
O que exige nível técnico de verdade. Integração entre sistemas por API, webhook avisando outro sistema quando algo acontece, automação de agendamento amarrada ao seu estoque. Isso existe, é útil para quem já vende todo dia, e não é de graça nem em dinheiro nem em esforço. Não está nesta conta e eu não recomendo que esteja no seu primeiro mês.
Produção que depende de gente. Foto real do seu espaço, vídeo com a sua equipe, filmagem de produto. A IA gera muita coisa. Ela não filma o seu salão.
Serviço especializado pontual. Contabilidade, jurídico, fotografia profissional. Continuam onde sempre estiveram.
Essa lista não anula a economia. Ela dá tamanho real a ela, e o tamanho real ainda é bom.
Como decidir sem depender da minha palavra
O melhor jeito de saber se essa conta fecha para você não é ler mais textos. É preencher a planilha com os preços de hoje e comparar com a sua fatura atual.
São sete linhas. Domínio, hospedagem, IA, e-mail, gateway, verba, e uma última linha honesta chamada "meu tempo por semana". Em uma hora você tem a resposta que nenhum artigo genérico te dá, porque ela usa os seus números.
E depois da planilha vem o teste mais barato de todos: montar uma coisa de verdade e cronometrar.
O que economiza dinheiro não é a ferramenta barata. É você operar, e operar exige a ordem certa das tarefas, que é a parte que custa meses de tentativa e erro quando ninguém te entrega pronta.
Essa ordem é o que o playbook One-Click Marketing resolve: os 10 módulos na sequência exata, com o comando pronto para colar na IA em cada etapa, do domínio no seu nome até o painel de métricas. R$ 447, pagamento único, acesso vitalício (US$ 147 fora do Brasil), com o escopo declarado: ele não cobre integração por API, webhook, automação de agendamento nem suporte de execução, exatamente os itens que aparecem na seção anterior. Se você quiser conhecer o que está dentro e o que não está antes de decidir, veja o playbook.
Para continuar:
- Agência ou IA: a comparação honesta para quem decide este mês, com os casos em que a agência ainda é a escolha certa.
- One-Click Marketing vale a pena? O que está dentro e o que não está, inclusive para quem ele não serve.